terça-feira, 8 de setembro de 2009

Conversa na esquina

Alguns dias sem postar, mas estou voltando à ativa, fiquei um tempinho sem net, e também por ser um pouco vagabundo (assumo esse mal), não tinha postado mais, estou com vontade de escrever algumas idéias que eu tenho, acho até que irei dividir o blog em duas partes, uma para críticas, e outras para textos filosóficos, bom chega de trela e vamos ao que interessa.


Em uma caminhada noturna, em alguma rua de minha cidade, parei em uma esquina e com um amigo de caminhada sentei-me, e ficamos ouvindo alguma música. Bem o tempo parece que se esvairia, mas algo sempre voltava a bater em nossas prosas, era a velocidade em que a vida corria algumas rápidas outras quase parando como a nossa naquele momento, para que fique bem claro sou totalmente afundado no capitalismo, mas como diria Marx impossível não ser um, então prefiro me taxar (somente nisso que fique bem esclarecido, odeio rótulos) de capitalista idealista se é que Deus isso existe, mas sim sou!


Falando de como a noite acende um lado da cidade despercebido em invisível, perdoe-me o uso da expressão, para reles humanos como 90% da população mundial, se você estiver lendo isso e me criticar, positivamente ou negativamente depois, erga os braços pro céu você esta nos 10% com cultura nesse mundão, em certo momento um cidadão, daqueles que coletam papelão puxando carrinhos típicos de centros urbanos, passa por ali, acenamos e demos uma boa noite, ele era completamente desconhecido, ele devolveu em um gesto muito amigável, estacionou seu carrinho, atravessou a rua, em nossa direção, e como pessoa com pouco estudo que era, mas com muita simpatia ofereceu nos um cigarro, não aceitamos, mas iniciamos uma conversa, muito calorosa, ele nos descreveu sua vida, rapaz simples, trabalhador, tinha emprego em uma fabrica durante o dia e na madrugada catava papelão, latinhas, litros tudo que valesse alguns trocados, contou-nos que tinha casa, família, filha e tudo mais, papo vai papo vem, em certo momento passa, por ali, um carro não direi a marca pois não faço propaganda free aqui, mas digamos que você desembolsaria uma ótima quantia para ter um, bom, dentro do veiculo havia três ou quatro rapazes de classe média alta, que quando passaram jogaram um copo de bebida no rapaz que conversava com a gente e continuaram o caminho em uma velocidade absurda e gritando palavras de baixo calão, bom o ato foi muito preconceituoso, mas não é isso que eu quero discutir nesse texto.


O ponto que quero relevar aqui, é o fato de que uma pessoa simples, sem estudo, trabalhando incansavelmente, para por o pão na sua mesa, consegue ver o que o mundo nos oferece, já pessoas com todo o poder aquisitivo que aqueles rapazes deixam sua vida fluir pelo esgoto, sinceramente, ESGOTO! Do consumismo, não vou criticar, você usar seu veiculo para deslocamento, mas objetivamente, é necessário toda vez? Bom como a maioria dos meus leitores não dispõem ainda de veiculo próprio, vamos baixar um pouco esse nível de comparação, então, quando você sai do seu trabalho, escola ou qualquer lugar que freqüente que seja afastado da sua residência ou que você tenha que pelo menos dobrar uma esquina, presumo, que já saiba o que ira encontrar nos próximos metros, e provavelmente até quem, mas e o mundo? Bom você deve me perguntar, que mundo não é? Pois bem, o mundo simples como as flores de alguma casa, as crianças no terreno baldio a praticar a paixão nacional ou outras palavras batendo aquele futeba, a garota bonita que passa ao seu lado, a isso você repara haha (ou o garoto, para minhas leitoras), mas até nessa pessoa para onde você olhou fundo dos olhos, sorriso, carisma ou para o corpo? Já sabemos a resposta não?! Bom isso pode parecer clichê de texto filosófico, ou críticos da vida urbana, mas algo me induziu a escrevê-lo e o que foi só meu subconsciente pode relatar aos senhores e senhoras, mas afundado no nosso mundinho capitalista, que chama de miss universo uma terráquea, mas afinal estamos mesmo sozinhos no universo, para uma mulher da terra ser a dona da maior beleza universal, o ser humano moderno, “contemporâneo” que insiste em se auto intitular, o auge do desenvolvimento pensante entre os animais, esquece-se que a beleza da vida não está no que se pode comprar com dinheiro, mas no que sim, pode se comprar com o simples gesto de olhar formigas trabalhando, idosos passeando, quando você anda com seu celular na mão ou fone no ouvido, tentando estabelecer comunicação com outra pessoa, não que isso não seja necessário, mas pode ser dispensável, deixa de visualizar o exterior de seu casulo vivencial, e passa a ser parte da vida cotidiana e rotineira, ALIENADA! Passa a se esquecer que flores tem aromas, ta não saia arrancando todas também, um carro a 60km/h ou uma pessoa com celular ou fone no ouvido, não percebe que na próxima esquina a vida pode estar explodindo em uma erupção de novas cores, sentidos, consciências e vivências, quantas vezes você já percebeu como é lindo a luz do luar refletida no nosso pobre rio, se você não tem um na sua cidade, use para essa comparação o amanhecer, sei que é as vezes em nossa vida moderna é impossível parar para observar, mas sempre digo isso com convicção, sempre terá um momento em que você poderá, parar por cinco minutos e respirar a vida que pulsa ao seu redor, mesmo em um centro rodeado por concreto e ferragens, não deixe sua vida se tornar mais um numero nos registros oficiais do governo, torne-se humano, observe o que se passa ao seu redor, como os dois amigos sentados no banco da pracinha da esquina refletindo sobre a vida, ou sobre como é chato descobrir que ainda somos controlados por uma maquina, o relógio, tenho que ir, tchau!

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